VERBALIZAÇÃO E OBSERVAÇÃO COM BASES HIGIENISTAS: UMA DISCUSSÃO VOLTADA AO PRECONCEITO CONTRA O TOQUE

Vinícius Donizete Pereira Natalino, Letícia Trindade de Podestá, Janis Stefany de Paula, Graziela Pascom

Resumo


Introdução: De acordo com Assumpção (2011), a chave do Higienismo é a conservação da saúde. Ainda assim, quando tratamos sobre o assunto, focamos nossas atenções para o aspecto corporal e nos esquecemos do mental. Mesmo com a característica conservadora que a abordagem apresenta, é importante dizer que “A consciência do homem pode ser entendida como um estado pelo qual o corpo percebe a própria existência e tudo mais o que existe” (MEDINA, 1983, p.23). Nesse sentido, podemos entender que o corpo é nosso maior meio de interação e comunicação social e que o ato de

tocar o outro é poder aprender com ele, e não deve ser visto de forma preconceituosa Objetivo: Apresentar a proposta didática Verbalização e Observação com base Higienista como recurso de discussão sobre o preconceito contra o toque Metodologia: Trata-se de uma pesquisa qualitativa realizada na disciplina de Didática Geral. Participaram da pesquisa os alunos do 3º período vespertino do curso de Educação Física - Licenciatura do IFSULDEMINAS – Campus Muzambinho. O tema proposto para apresentação foi a Verbalização e Observação com base Higienista, sendo que sua aplicação ocorreu durante 2 aulas (1h e 40m).O plano de aula elaborado consistiu em uma sequência de alongamentos em duplas mistas ou homogêneas e uma dinâmica de toque em quartetos, onde o indivíduo do meio foi vendado e tocado pelos demais integrantes do grupo em um esquema rotativo. Resultados: A utilização do corpo e a realização dos exercícios propostos foram a principal ferramenta de comunicação com o outro, questões que foram amplamente debatidas após a experimentação dos alunos como observantes e verbalizadores dentro das divisões realizadas no decorrer da atividade. Com as práticas vivenciadas, o pensamento de sexualização do toque foi refletido pelos alunos possibilitando nova perspectiva quanto ao tocar, sentir-se amado e realizado por este toque, que ocorreu de forma respeitosa sobre o corpo do outro. A intimidade dos alunos, de início, foi um fator limitante para o toque, mas ao fim, o sentimento de tocar e ser tocado de forma afetuosa prevaleceu. Os alunos relataram que este sentimento se encontra distorcido dentro da sociedade, onde o preconceito contra o toque é enaltecido e ocasiona precariedade no ato de amar e sentir-se amado, mesmo quando há respeito no ato. A partir da prática, um dos alunos relatou que não gosta de ser tocado, mas através da proposta, sentiu-se agradecido e confortável com o toque dos colegas Conclusão: Com a prática, provocamos nos alunos um pensamento mais respeitoso sobre o tocar e o deixar ser tocado. Conseguimos, com isso, quebrar alguns conflitos que existem, não por algo que veio da escola, mas sim da família e da sociedade, proporcionando a virtude de ser amado e amar com conotação não sexual, mas sim de prazer e felicidade. Aplicabilidade Prática: O tema desenvolvido serve como sugestão para proporcionar a discussão sobre o preconceito contra o toque dentro das aulas de Educação Física escolar.


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