COMPARAÇÃO DE DIFERENTES CRITÉRIOS PARA A DETERMINAÇÃO DO CONSUMO MÁXIMO DE OXIGÊNIO POR MEIO DA TÉCNICA DE RETROEXTRAPOLAÇAO EM CICLISTAS.

Gabriel Luches Pereira, Carlos Kalva Filho, Ronaldo Gobbi, Danilo Bertucci, Ricardo Barbieri, Marcelo Papoti

Resumo


Introdução: A técnica de retroextrapolação permite a determinação do consumo máximo de oxigênio (VO2MÁX) a partir dos valores obtidos durante os primeiros instantes de recuperação. Essa ferramenta permite que sejam obtidos valores de VO2MÁX em condições específicas de uma modalidade, sem a interferência de equipamentos durante o esforço. Apesar de sua aplicabilidade,a literatura apresenta uma grande variabilidade de critérios para a determinação desses valores Objetivo: Comparar os valores de VO2MÁX obtidos tradicionalmente durante o exercício e a partir do VO2 da recuperação com diferentes critérios de análise. Metodologia: Dezessete ciclistas (idade de 36,4 ± 5,5 anos, massa corporal de 80,5 ± 9,8 Kg e estatura de 1,80 ± 0,06 m) realizaram um teste incremental e um esforço supramáximo a 120% do VO2MAX (fase de verificação). Todos os esforços foram realizados nas próprias bicicletas dos participantes. O VO2MÁX foi assumido como os maiores valores durante o teste incremental, desde que um aumento não substancial tenha sido evidenciado ao final do esforço supramáximo (i.e., elevações menores que a inclinação do VO2 ao

longo do teste incremental). Imediatamente após a exaustão no esforço supramáximo, a máscara do analisador de gases foi removida e recolocada após 3 s, simulando o que aconteceria se a técnica de retroextrapolação fosse aplicada na prática. A partir da relação entre o VO2 e o tempo de recuperação (i.e., 60 s) foram estabelecidos quatro critérios matemáticos para aplicação da técnica de retroextrapolação, sendo: i) o intercepto-y desta relação (C1), ii) extrapolação da relação para o instante de – 3 s (C2), iii) o intercepto-y da relação construída entre as médias a cada 5 s do VO2, transformadas em logaritmo (C3) e iv) médias a cada 5 segundos transformadas em logaritmo e extrapoladas ao instante de – 3 s (C4). A normalidade e a esfericidade dos dados foram confirmadas por meio dos testes de Shapiro-Wilk e Mauchly, respectivamente. As comparações entre os diferentes critérios e os valores de VO2MAX foram realizadas por meio da ANOVA para medidas repetidas, seguida do post-hoc de Tukey. As possíveis correlações foram evidenciadas por meio do teste de correlação de Pearson. Em todos os casos o nível de significância foi pré-estabelecido em p < 0,05. Resultados: O C1 (C1: 3,06 ± 0,45 L.min-1) apresentou valores inferiores ao VO2MAX (4,07 ± 0,38 L.min-1; p = 0,01), o que não ocorreu para os outros critérios (C2: 3,72 ± 0,47 L.min-1; C3: 3,77 ± 0,52 L.min-1; C4: 3,96 ± 0,57 L.min-1; p > 0,20). Todos os critérios foram correlacionados ao VO2MAX (r > 0,77; p < 0,01). Conclusão: O C2 foi a estratégia matemática que melhor representou VO2MÁX, devendo ser escolhido para aplicação da técnica de VO2MAX em ciclistas Aplicabilidade Prática: Embora o presente estudo tenha confirmado a possibilidade de utilização do C2 para a estimativa do VO2MAX em ciclistas, estes resultados devem ser extrapolados para outras modalidades com cautela.


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