RELAÇÕES ENTRE PARÂMETROS NEUROMUSCULARES E O DESEMPENHO NO ESFORÇO MÁXIMO DE TRINTA SEGUNDOS EM NADO ATADO

Tarine Botta de Arruda, Carlos Kalva Filho, Gabriel Pereira, Jonatas Augusto Cursiol, Leonardo Rocha, Matheus Silva Norberto, Marcelo Papoti

Resumo


Introdução: O esforço máximo de 30 s realizado em nado atado (30NA) tem sido muito utilizado para avaliação de nadadores, principalmente por apresentar significativas correlações com desempenhos de curta e longa duração (50 – 400 m). Classicamente, o 30NA é considerado uma adaptação ao teste de Wingate, o que parcialmente explica estas correlações com o desempenho, considerando a grande participação anaeróbia esperada neste esforço. Entretanto, alguns resultados observados pelo nosso grupo de estudos demonstraram que as variáveis provenientes do 30NA não foram correlacionadas fortemente com a contribuição anaeróbia observada em um esforço de 100 m em nado livre, indicando que outros fatores podem contribuir para a obtenção das variáveis em nado atado Objetivo: testar as correlações entre as variáveis do 30NA e as respostas neuromusculares de nadadores jovens. Metodologia: 13 nadadores (19,46 ± 3,45 anos, peso corporal de 72,02 ± 7,61 Kg e estatura de 177,85 ± 5,40 cm) foram submetidos a um 30NA, para a determinação da força pico (FP), força média (FM) e índice de fadiga (IF). Antes e após o 30NA os nadadores realizaram uma contração isométrica máxima, em uma cadeira construída especialmente para esta função, o que permitiu a determinação da força pico isométrica (FPI). Após a realização da contração isométrica, os nadadores foram submetidos a uma estimulação elétrica para determinação da força evocada (FE). A intensidade do estímulo elétrico correspondeu a máxima amperagem aplicada antes de ocorrer uma co-contração do bíceps. Todos os valores de força foram obtidos com uma frequência de 1000 Hz, por meio de um conjunto de aquisição sincronizado em ambiente LabView ®. A FPI e a FE também foram expressas em percentual de variação entre os valores observados antes e após o 30NA (?FPI e ?FE). As possíveis correlações entre as variáveis do 30NA e os parâmetros neuromusculares foram testadas por meio dos procedimentos de Spearman (p < 0,05). Resultados: A FP (222,8 ± 28,0 N), a FM (107,0 ± 11,6 N) e o IF (3186,1 ± 450,1 N·s), não apresentaram correlações com a FPI (Antes: 294,0 ± 70,3 N; Após: 285,6 ± 53,6 N) e com a FE (Antes: 44,8 ± 10,5 N; Após: 38,4 ± 14,7 N) (p > 0,07). Entretanto, a FP (r = 0,70; p = 0,007) e o IF (r = 0,75; p = 0,003) apresentaram significativas correlações com a ?FE (–16,4 ± 23,6 %). Conclusão: A manutenção do desempenho durante o 30NA parece ser acompanhada de maiores alterações relacionadas a fadiga periférica, o que pode ter sido induzido por maiores distúrbios ocasionados nos primeiros segundos de exercício (i.e., valores superiores de FP). Aplicabilidade Prática: Os resultados demonstram que a manutenção do desempenho durante o 30NA foi relacionada a uma concomitante manutenção de parâmetros neuromusculares. Assim, parece ser importante que estímulos neuromusculares sejam incorporados na rotina de nadadores, especialmente velocistas que competem em provas com durações próximas aos do 30NA.

 


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