RELAÇÕES ENTRE O CONTEÚDO DE GLICOGÊNIO MUSCULAR E PARÂMETROS DE FADIGA CENTRAL E PERIFÉRICA

Carlos Kalva Filho, João Paulo Loures, Gabriel Luches Pereira, Carlos de Carvalho, Ricardo Barbieri, Marcelo Papoti

Resumo


Introdução: Classicamente a menor tolerância ao exercício em esforços com baixas quantidades de glicogênio muscular (GlicM) é relacionado a fatores periféricos, como a falta de energia para o ciclo de ponte-cruzada ou para a cinética de cálcio no retículo sarcoplasmático. Entretanto, quando uma diminuição do GlicM ocorre durante o exercício, vários metabólitos aumentam substancialmente na corrente sanguínea (e.g., IL-6 e catecolaminas), os quais estão relacionados a uma menor ativação dos motoneurônios. Desse modo, a diminuição do GlicM pode induzir tanto a fatores periféricos como a fatores centrais de fadiga, o que ainda foi pouco explorado na literatura. Objetivo: Relacionar a depleção de glicogênio muscular e parâmetros de fadiga central e periférica. Metodologia: 10 indivíduos fisicamente ativos foram realizaram um esforço prolongado (50 min a 70% do VO2MAX) para a depleção do GlicM. Antes e após o esforço prolongado, o GlicM foi estimado por meio de imagens de ultrassom, utilizando o software MuscleSound®. Além disso, a técnica de pulso interpolado foi aplicada para a determinação dos parâmetros centrais e periféricos relacionados a fadiga. Para isso, os participantes realizaram uma contração máxima isométrica com

duração de 5 s, para a determinação da força máxima (FM). Estímulos elétricos foram aplicados no terceiro segundo durante a contração – para a determinação da força superimposta (FS) – e cinco segundos após este esforço, possibilitando a determinação da força potenciada (FP). Os esforços e as contrações isométricas foram realizados em um ergômetro para extensão dinâmica de joelhos, construído especificamente para esta finalidade. As possíveis diferenças entre os valores observados antes e depois do esforço prolongado foram comparados por meio do teste t de student para amostras dependentes. As possíveis relações entre as variações (diferença percentual entre antes e depois) foram evidenciadas por meio do teste de correlação de Spearman. O nível de significância foi p < 0,05. Resultados: O GlicM diminuiu significativamente após o esforço prolongado (antes: 50,9 ± 16,4 u.a.; depois: 21,4 ± 19,6 u.a.; p = 0,001). Significativas diminuições também foram observadas para a FM (antes: 48,0 ± 12,5 N; depois: 32,8 ± 11,8 N; p = 0,003) e para a FP (antes: 12,2 ± 6,3 N; depois: 6,5 ± 5,8 N; p = 0,008). Nenhuma alteração foi observada para a FS (antes: 2,8 ± 3,6 N; depois: 2,5 ± 2,4 N; p = 0,568). Uma tendência a correlação foi observada entre as diferenças percentuais do GlicM e da FP (r = 0,612; p = 0,060). Conclusão: A fadiga em esforços prolongados, onde o GlicM diminui significativamente, pode ser relacionada a fatores periféricos. Aplicabilidade Prática: Considerando os resultados do presente estudo, em esforços que são caracterizados por uma diminuição acentuada dos conteúdos de glicogênio, estudos futuros podem desenvolver diferentes estratégias para que a fadiga periférica seja atenuada.


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