EDUCAÇÃO PARA SEXUALIDADE: RETRATOS DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS

Tuffy Felipe Brant, Maria Silvia Moraes

Resumo


Introdução: Embora a sexualidade seja um tema previsto nos currículos escolares brasileiros, o assunto ainda se mostra frágil na formação básica (Altmann, 2009). Como um dos reflexos, universitários se tornam alvo de investigações que considerem os aspectos socioculturais no viver da sexualidade. Objetivo: O objetivo foi caracterizar o perfil sexual em aspectos relacionados aos comportamentos, conhecimento sobre métodos contraceptivos (MC) e doenças sexualmente transmissíveis (DST), opinião e atitudes sobre prevenção. Metodologia: Este é um estudo transversal, descritivo, realizado com 200 universitários de um curso superior de educação física. Foi aplicado um questionário desenvolvido a partir de dois estudos: o relatório sobre saúde sexual e reprodutiva de universitários (Matos et al., 2011, p.17) e o estudo Health Behaviour in School (Reis, 2012, p.67-68). Os dados foram analisados no programa excel (2010). Calculou-se frequências e percentuais para caracterização das variáveis. Este trabalho foi aprovado pelo CEP da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto. Resultados: Os resultados demonstraram que: 94% dos participantes já iniciaram a vida sexual, sendo que 60,1% tinham 16 anos de idade ou mais, e 30,9% não utilizaram MC na ocasião; Mais da metade não utilizavam regularmente MC ou preservativos, o que significa aumento de riscos como gravidez indesejada (GI) e DST, como AIDS, infecção que vem aumentando entre os jovens brasileiros de 18 a 24 anos (UNAIDS, 2014); 77,6% tinham relações sexuais sob efeito de álcool, o que aumenta os fatores de riscos (Hoque, 2011); 6,3% declarou casos de GI e 7,4% ter tido DST. O MC mais utilizado foi a camisinha e a pílula anticoncepcional, embora muitos participantes apresentassem equívocos quanto a utilização deles, bem como prevenção de DST. As mulheres apresentaram posturas mais positivas em relação às práticas sexuais seguras. Esta diferença de valores pode estar relacionada com os aspectos socioculturais e educacionais. A escola ainda vincula a sexualidade à questão da reprodução e parece centralizar o desenvolvimento desse tema na prevenção da gravidez na adolescência, negligenciando discussões importantes na formação inicial, como gênero, desejo e fontes de informação (Altmann, 2009). Conclusão: Concluímos que apesar dos participantes conhecerem os métodos de proteção sexual, eles apresentavam comportamentos sexuais de risco. Entendemos ser necessário ampliar os investimentos em educação sexual no ensino superior e intensificar as ações que favoreçam a prevenção de agravos. Aplicabilidade Prática: Retratar o perfil sexual dos universitários pode incentivar o desenvolvimento de programas educativos e preventivos no ensino superior, que considerem os aspectos socioculturais e que, além disso, a produção desse conhecimento possa inspirar as universidades a discutirem sensivelmente sobre a sexualidade nos cursos de formação de professores.


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