JOGOS E BRINCADEIRAS DE MATRIZ AFRICANA: QUESTÕES ÉTNICAS RACIAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL EM UMA ESCOLA QUILOMBOLA

Fernanda Gabriela de Rezende Casagrande, Ieda Mayumi Sabino Kawashita

Resumo


Introdução: Este trabalho só foi possível devido ao PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência) escola em que foram realizadas as intervenções é quilombola e os bolsistas envolvidos se atentaram em levar um tema de relevância social ampliando as experiências e vivências. Objetivo: Neste sentido, as intervenções no ensino infantil, teve como objetivo propiciar a vivência de conhecimentos da África envolvendo discussões quanto a diversos preconceitos que poderiam surgir. Metodologia: Utilizamos a abordagem Crítico Superadora sugerida pelo coletivo de autores (1992). Realizamos uma sequência de 2 observações e 11 aulas de intervenção para desenvolvimento dos conteúdos. Resultados: Após as duas aulas de observação, pedimos para que eles realizassem como forma de avaliação um desenho sobre o que eles pensavam que tinha na

África e seus relatos se prendiam somente a animais. Neste momento, nós bolsistas realizamos práticas que ampliassem o universo sociocultural deles. Nas intervenções seguintes mostramos como as crianças africanas brincavam e apresentamos 3 jogos de matriz africana, e discutimos quanto as brincadeiras do Brasil são semelhantes por conta desta nossa raiz africana. Neste momento foi construído uma linha temporal, relacionando as brincadeiras com o tempos histórico. Contamos a eles a história da boneca Abayomi e eles que construíram-na, foi quando surgiu um grande preconceito de gênero. Depois contamos histórias infantis e práticas, notamos que os alunos diziam que pessoas brancas tinham cabelos lisos e as pessoas negras tinham cabelo enrolado, mesmo não tendo. Decidimos propor a eles um caça imagens, as imagens eram de pessoas, desenhos e os professores, para que eles notassem que cada pessoa é especial do seu jeito. No princípio de todas as aulas conversamos com os alunos, e nestas discussões notamos que o aprendizado para eles estava sendo significativo e foi confirmado por diversas avaliações por meio de desenhos. Conclusão: Com base nos dados recolhidos e nas avaliações, consideramos que as crianças obtiveram uma mudança na compreensão do significado do que é a África e do que ela representa, no final, as crianças identificavam e relacionavam jogos, brinquedos, histórias, pessoas e até mesmo elementos da cultura afro brasileira, ao continente africano. Por consequência essa mudança na percepção sobre a África e sua cultura leva também as crianças, ou pelo menos uma parte considerável delas, a superar uma visão preconceituosa quanto a cultura e a identidade negra, uma vez que boa parte das crianças, negras, que não se autoidentificavam como tal no início do projeto, ao final das intervenções passaram a se perceber como negras. Aplicabilidade Prática: A intervenção pode ser reproduzida, respeitando as características de cada turma e da escola, facilitando a discussão sobre esses temas nas escolas, além de ser de grande importância para o entendimento das crianças como seres integrantes da cultura.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS)
Pró-Reitoria de Extensão (PROEX)
Avenida Vicente Simões, nº 1111 - Nova Pouso Alegre
Pouso Alegre-MG
CEP: 37550-000